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Birras!? O que fazer?


Diariamente os pais vêem-se confrontados com as mais variadas situações no que diz respeito à educação dos filhos. Situações essas que criam muitas dúvidas, até mais do que certezas. A maior parte dessas situações são próprias do desenvolvimento da criança, contudo, é difícil ensaiar respostas para cada momento.


E de repente, eles choram, gritam, berram, mordem, dão pontapés, batem com os pés no chão, atiram com os brinquedos e…eis a birra. Calma, o essencial é não perder o controlo. Por norma as birras são causadas por algo que frustra ou entristece a criança que, com o choro ou gritos, procuram que a situação se resolva e que ela seja beneficiada, chamando assim toda a atenção para si, não controlando a raiva e a frustração.

É normal que a criança faça birras, ela está a explorar o mundo e a descobrir os seus limites. E acima de tudo não possui, ainda, mecanismos para lidar com a frustração e tem dificuldades na linguagem verbal.

É aqui que a intervenção dos pais se torna importante. É necessário ensinar às crianças as regras sociais, a capacidade de negociação, a resolução de problemas, a tolerância à frustração e a autorregulação, proporcionando sentimentos de segurança e confiança necessários à adaptação e exigências do contexto onde elas se inserem.

A primeira infância é um período importante para testar a paciência dos pais, porque apesar de as birras serem consideradas normais, essencialmente na idade pré-escolar, elas podem tornar-se grandes preocupações no futuro, levando a graves problemas de comportamento. Há, então, que ensinar a criança a ter controlo sobre si própria, a dominar a fúria e controlar e limitar a sua manifestação.


- Birras e o processo de desenvolvimento

A infância é o período do desenvolvimento do ser humano em que ocorrem as mudanças mais rápidas e mais importantes, portanto é normal que a criança tenha as suas birras, são uma parte do desenvolvimento, uma parte em que esta está a explorar o mundo, a descobrir os seus limites. É a fase em que a criança está a adquirir autonomia e a tentar dominar o meio ambiente.

Uma birra é a expressão de uma multiplicidade de sentimentos pelo que, para a entender, há que compreender a sua relação com esses mesmos sentimentos, como o medo, a ansiedade, a frustração de não poder ter tudo, a raiva, a tristeza.

As birras, os medos e a ansiedade vão, mais tarde, ser vencidos pela maturidade e pelo crescimento. À medida que as crianças crescem vão tendo uma melhor apreensão e compreensão das regras sociais, da dicotomia do ‘’eu’’ e do ‘’outro’’, do papel de cada um entre os demais e a sociedade em geral, vão pôr de parte a omnipotência, vão ganhando tolerância à frustração.

Não se esqueça que a criança é frágil, pelo que em muitos casos as birras são uma espécie de pedidos de ajuda. Como se estas crianças não quisessem comportar-se desta ou de outra maneira, mas comportam-se assim por ser a única forma que conseguem expressar.

As birras, são episódios emocionais, são breves mas intensos, caracterizados por serem explosivos, impulsivos e fora do controlo da emoção. São as externalizações das emoções que para além de bastante intensas, são, na sua maioria, desorganizadas. Estes episódios podem ser entendidos como uma crise emocional, temporária, mas que não deixa de ser uma crise para a criança. Esta sente que não consegue controlar os seus impulsos emocionais, perde o autocontrolo e há até um desrespeito pelas normas do comportamento, previamente aceites pela sociedade. É desta crise que ressaltam a frustração e a raiva, sentimentos que a criança não consegue controlar.


- QUAIS SÃO AS REAÇÕES DAS CRIANÇAS DURANTE UMA BIRRA?

Diversos autores e psicólogos descrevem como uma birra comportamentos como gritar, morder, dar pontapés, atirar com as coisas que estão à sua volta, bater com os pés no chão, atirar-se para o chão, espernear, fugir, chorar e empurrar.

Chorar é a expressão verbal mais característica das birras. Chorar é importante para o processo de interiorização e ajuda a criança a diminuir a angústia. O chorar ajuda a criança a controlar a frustração e poderá diminuir futuras explosões violentas, que muitas crianças têm num momento de raiva, como bater ou morder.

Então, podemos distinguir as birras de duas formas: as físicas, como atirar-se para o chão e as verbais, como chorar e gritar. Reparem que raramente existe violência verbal, o que explica a reduzida linguagem expressiva.


- A REAÇÃO DOS PAIS DURANTE UMA BIRRA

Os pais, face à primeira birra, têm de responder com calma, mas com absoluta determinação. Têm de falar com a criança, não lhe bater, mas ser inflexíveis. Explicar-lhes as razões pelas quais não se satisfaz o seu desejo. As crianças desde muito pequenas devem interiorizar que as birras não conduzem a nada. Ocasionalmente, ignorá-las pode ser eficaz a longo prazo.

Esta atuação deve ser igual, independentemente do contexto, isto é, a posição dos pais deve ser igual quer esteja em casa, no supermercado ou numa festa cheia de gente. Se a ignorarmos, o comportamento tenderá a reduzir-se.

Quando surge uma birra, é essencial não perder o controlo - nem de si nem da situação. Por exemplo, uma birra num local público: os pais nesta situação têm de manter a calma, afastar a criança e deixar que ela própria se acalme. Atenção: repreender, castigar, dar longos sermões, ameaçar, chantagear, prometer, ridicularizar, gritar, comparar com os irmãos são estratégias que podem resultar a curto prazo, mas não vão resultar a longo prazo.

As próprias crianças amedrontam-se, muitas vezes, com a sua birra, com aquele estado de desatino completo. E nestas situações, dar mimo e confortar, não são sinais de fraqueza, desistência ou má forma de educação, mas sim um sinal de amor e compaixão para quem está assustado. Mas, não se deve entender este conforto como cedência. Não se deve ceder em nenhuma situação a uma birra e deve-se aprender a dizer não, firmemente.

Portanto, há que manter a calma durante uma birra, não responder emocionalmente nem por palavras nem por gestos, olhares ou rigidez corporal. Pegue na criança, nem que seja para prevenir que se magoe, leve-a para um local onde possa conversar à vontade, dizer-lhe que gostamos dela, mas explicar-lhe que o seu comportamento não está a ser correto, dar-lhe tempo para ela própria se acalmar, nem que tenhamos de arranjar estratégias de contagem até um determinado número e, também muito importante, dar-lhe razão, sempre que esta a tiver, explicando-lhe que apesar de ter razão não pode reagir assim.


Mas será que todas as birras merecem atenção? Não, há birras que se podem ignorar, não só pelo fato de serem birras ‘’pequenas’’, mas com o objetivo de estas se extinguirem, pois ignorar uma birra pode evitar a sua proliferação.

E afinal em que situações as birras são mais frequentes? Podemos enumerar várias situações, entre elas, a hora da refeição, os momentos em que estão em público, com muita gente e muita confusão, quando têm sono, quando têm fome, quando estão cansadas, quando querem atenção e quando querem uma coisa e não percebem porque não lha dão.






Sinais de alarme:

Embora as birras sejam consideradas uma característica normal do desenvolvimento, há sinais preocupantes que devem levar os pais a procurar ajuda:


  • quando as birras aumentam de frequência, duração ou intensidade, sendo impossível controlá-las;

  • quando a criança se magoa ou magoa os outros;

  • quando a criança destrói brinquedos ou outros objetos;

  • quando as birras ocorrem na escola

  • quando os pais reagem com agressividade às birras dos seus filhos.



Então, resumindo:


  1. A melhor maneira de lidar com crianças que fazem birras é impedir que elas ocorram, percebendo quais são os fatores desencadeantes e evitando-os.

  2. Devem ser respeitadas as necessidades de sono e fome da criança.

  3. Os brinquedos e os jogos devem ser apropriados à sua idade de modo a não causarem frustração.

  4. Sempre que possível deve ser dada à criança a oportunidade de escolha, como por exemplo, escolher a roupa ou os sapatos ou decidir se prefere comer um alimento ou outro.

  5. Não perca o controlo, mantenha a calma, firmeza e segurança. Seja um exemplo se quer que o seu filho mantenha a calma - gritar só o vai deixar mais ansioso e irritado.

  6. Coloque-se à altura da criança, assim o seu filho não se sente intimidado.

  7. Defina consequências dos seus comportamentos, não castigos.

  8. Antecipe – avise a proximidade do fim da atividade, assim evita a birra.

  9. Utilize palavras simples, ordens curtas e mostre que percebe os seus sentimentos.

  10. Use um tom de voz tranquilo e acolhedor, não grite nem use um tom de voz ameaçador ou de desaprovação, isso faz com que a criança se sinta rejeitada e incompreendida.

  11. Consistência parental – os pais devem estar de acordo.

  12. Valorize esforços – não se esqueça de elogiar o bom comportamento do seu filho, da sua capacidade de lidar com a frustração nalgum momento, do seu comportamento obediente ou da sua aptidão para resistir a um impulso. Reforçar o bom comportamento é mais eficaz do que penalizar o mau.


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