Cultivar uma relação a dois


Esta será uma questão que toda a gente já se colocou a si mesma, de alguma forma ou outra: “Como cultivar uma boa relação a dois?


É um dos maiores desafios da Humanidade. É o grande real motivo pelo qual sofremos, é a base de tudo o resto; é a razão pela qual necessitamos de ajuda psicológica, pela qual guardamos angústias emocionais: relacionamentos.


O “Eu” na relação com o outro pode se perder, confundir, explodir, ruminar, esconder e sofrer. E amar. E conectar, explorar, crescer, sentir, sentir, sentir.


Mas este processo de transformar um “Eu” num “Nós” raramente se faz sem turbulência. Vamos explorar as pedras no caminho mais comuns em relacionamentos românticos.



Transformar o “EU” em “NÓS”


Quer estejamos em namoro casual há anos ou tenhamos conhecido uma pessoa há apenas umas semanas e nos sintamos apaixonadíssimos, assumir um compromisso com alguém é um passo muito importante. Construir uma vida a dois passa por criar um “nós” e abordar um relacionamento a partir dessa perspetiva a dois - isso implica uma intenção bem consciente e vontade de explorar as esperanças e expectativas, sonhos e objetivos do outro.


Nesta aventura, há alguns pontos a considerar:

  • A diferença entre sonhos e objetivos

  • As expectativas individuais para a vida a dois

  • O significado de confiança e compromisso

  • Como se dar a 100% no relacionamento (e o que isso pode trazer para ambos)

  • Como criar rituais de conexão (que sejam acordados e mantidos a longo prazo)


Será ou não uma boa ideia discutir estes pontos a dois?

E desta forma entramos naquilo que é uma das componentes cruciais de um relacionamento a dois: a COMUNICAÇÃO (!!).


Ouvir para Compreender

Quantas vezes já lhe aconteceu sentir que alguém com quem está a tentar falar não está realmente a ouvir e que espera apenas impacientemente a sua vez de poder também falar respondendo com uma história pessoal?


Como se sentiu nesse momento?


Não é agradável, certo?


E agora pense na quantidade de vezes que já abordou uma conversa dessa mesma forma, mal podendo esperar que a outra pessoa terminasse uma frase para poder dar a resposta que está a borbulhar na sua mente há (demasiados e longos) segundos, pronta para sair? Nessas situações, estava mesmo a ouvir? Deu espaço para que as palavras da pessoa assentassem na sua mente e o significado fosse verdadeiramente compreendido? Ou assumiu simplesmente que sabia para onde o seu raciocínio corria (pois conhece a pessoa tãaaaaaao bem! (ler em tom irónico) e percebeu logo “o que ela queria dizer”.

ESCUTAR é uma capacidade que se treina e se desenvolve a partir da prática, especialmente em relacionamentos românticos.

Da próxima vez que repare que está a criar suposições ou se está a desconectar da conversa e a prestar atenção unicamente aos seus pensamentos/julgamentos sobre as palavras do outro, tente escolher TER CURIOSIDADE. É só isso: seja curioso! Pergunte-se: O que é que o/a meu/minha parceiro/a está realmente a dizer? Posso pedir para ele/ela explicar mais o que me está a dizer para eu entender melhor? O que posso eu perguntar para mergulhar no seu mundo interior?


Escute para compreender e veja o quanto consegue descobrir sobre o seu parceiro.


Todos precisamos de nos expressar e estar num compromisso com alguém implica que tenhamos certas expectativas em relação ao apoio que esperamos receber do outro. Muitas vezes queremos que o nosso parceiro nos ouça - nada mais. Outras vezes, precisamos de ouvir opiniões e conselhos, de propostas de solução mais práticas para algum problema que nos assombra.

Porém, esta é a perspetiva fácil de entender. Vamos agora trocar de lugar e colocar-nos nos sapatos do outro. Então, o que posso eu fazer para apoiar o meu parceiro quando ele quiser expressar-se ou desabafar?


Aqui estão três técnicas que pode usar nas suas conversas:

  • Pergunte diretamente: "Precisas que eu apenas ouça ou queres que te ajude a pensar no que podes fazer a seguir?" - esta poderosa pergunta pode definir o tom de toda a conversa e fazer o seu parceiro sentir-se apoiado

  • Valide as emoções de seu parceiro e expresse apoio e empatia

  • Faça perguntas abertas, por exemplo, ”Como foi o teu dia? Queres falar sobre isso?” e respeite se ele/ela não estiver com vontade de conversar naquele momento


Claro que há muitos outros aspetos a ter em consideração quando estamos a cultivar o “Nós”, mas a comunicação assertiva tende a ser uma das dificuldades mais comuns numa relação a dois.


O que está a faltar nas conversas com o seu parceiro?

Identifique as lacunas e foque-se em preenchê-las para que ambos se sintam escutados e, consequentemente, compreendidos e apoiados na relação.