Dificuldade dos pais utilizarem a psicoterapia/sensibilização da importância


A cultura é um facto impactante nas nossas vidas e nada pode mudar esta conceptualização. As nossa origens demarcam a nossa historia psicológica/comportamental e hoje gostaria de escrever acerca desta relação tão ambigua e extensa.


Há uns dias atrás conversava eu, com um médico, em amena cavaqueira acerca dos filhos e da educação actual quando me apercebi de vários factores que ainda hoje continuam a ocorrer.

Mesmo sendo este uma pessoa com uma formação académica ligada à saúde em que o seu dia a dia aborda de várias formas a saúde no seu todo, dei por mim com uma sensação de incredulidade.


Como seria possivel ele não se dar conta de problemas tão óbvios em que nem sequer pensava em pedir a ajuda de um psicologo para ajudar o seu filho mais novo(?)

Contava-me ele que o seu filho mais novo com 14 anos passava o tempo todo fechado no quarto, que era muito distante, timido e pouco conversador. Perguntei-lhe como interpretava ele estes comportamentos. Ele respondeu-me: “Isto é a sua area deve compreender melhor do que eu!”


Demos inicio a uma conversa mais profunda, emoções, historia de vida dos pais, e aí compreendi que mesmo sendo um médico a nossa cultura, fechada e preconceituosa continua a ignorar, a desvalorizar a saúde mental.

Já se fez muito nos últimos anos para levantar esta cortina densa e pesada que nos impede de ver o que está por detrás dessa cortina mas ainda não é o suficiente.

A cultura que nos foi dada/passada e introjectada construiu um muro na nossa vida psiquica, resistente, dificil de derrubar que nos impede de aceder à razão e lógica do ser.


Derrubar estes muros e reerguer pontes de passagem para o nosso verdadeiro EU, para finalmente aceitar quem somos e descobrir o que não queremos ser, será um trabalho arduo mas que valerá a pena.

Gostava de vos dar uma nova perspectiva a partir desta minha reflexão, compreenderem o impacto desta transgeracionalidade que pode ser interpretada de varíadissimas formas mas todas elas válidas.

A consciencialização passa pela transformação da sociedade, se houver uma maior divulgação da importancia da saúde mental a partir do momento em que uma mulher/homem decidem ser mãe/pai.


Vão gerar um novo ser, devem saber que ter um filho não é só ter condições financeiras mas não menos importante é saber se estão em boas condições psicológicas par dar este passo.

A vinculação deste novo ser começa a ser importante desde o dia em que se sabe que estão “grávidos”. Começa um novo e desafiante trabalho no casal, saber nutrir o embrião/feto.

A nutrição não passa apenas pela mulher ter uma alimentação cuidada para um bom desenvolvimento do bebé mas também estabelecer uma conexão sentimental de amor e afeto.


Não esquecer que esta nutrição faz parte de um todo no bom desenvolvimento fisico e mental/psicológico do bebé. O factor mental é simplesmente esquecido na grande maioria das vezes porque para a maioria das pessoas o bebé não tem memória das emoções, uma grande mentira.

O bebé sente todas as emoções a partir do momento em que é um embrião.

Não é só o corpo que se forma durante a gravidez. A personalidade, a inteligência e os traumas também estão em gestação.

Poderíamos atenuar e contornar varíadissimos problemas, se existisse uma consulta agregada ao percurso médico da grávida durante a gestação onde o futuro pai também fizesse parte deste percurso psicológico.

Conclusão, esta problemática existe e vai continuar a existir enquanto não houver uma reeducação cultural, é urgente emergir uma nova perspectiva acerca do papel da vinculação.

Ajudar quem não sabe, e sensibilizar quem desvaloriza.

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