Filhos De Pais Emocionalmente Imaturos: Infâncias Perdidas

Atualizado: Mar 8

Ser filho de pais emocionalmente imaturos deixa marcas profundas. Tanto que são muitas as crianças que acabam assumindo responsabilidades de adultos e que crescem antes da hora forçados por essa incompetência paterna, por esse vínculo frágil, descuidado e negligente que apaga infâncias e arrasa a auto-estima.

Ninguém pode escolher seus pais, sabemos disso, e mesmo que sempre chegue a hora em que como adultos temos pleno direito de optar pelo tipo de tratamento que queremos estabelecer com eles, uma criança não consegue fazer isso. Porque nascer é quase como cair por uma chaminé. Há quem tenha a sorte de ter progenitores maravilhosos, habilidosos e competentes que lhe permitirão crescer de forma segura, madura e digna.

“Não há maior necessidade na infância do que sentir a proteção dos pais.” -Sigmund Freud-

Ninguém pode escolher seus pais, sabemos disso, e mesmo que sempre chegue a hora em que como adultos temos pleno direito de optar pelo tipo de tratamento que queremos estabelecer com eles, uma criança não consegue fazer isso. Porque nascer é quase como cair por uma chaminé. Há quem tenha a sorte de progenitores maravilhosos, habilidosos e competentes que lhe permitirão crescer de forma segura, madura e digna.

Os pais com uma personalidade claramente imatura e incompetente podem favorecer a criação de crianças tiranas, assim como imaturas. Contudo, também podem propiciar que as próprias crianças assumam o papel do adulto que os pais se negaram a exercer. É assim que alguns pequenos acabam se responsabilizando por seus irmãos menores, se encarregando das tarefas do lar ou assumindo decisões que não correspondem à idade.

Este último fato, por mais curioso que possa parecer, não fará com que essa criança seja mais corajosa, mais madura nem mais responsável de uma forma que possamos entender como saudável. O que acontece principalmente é criar pessoas que perderam a sua infância. Convidamo-lo a refletir sobre isso.


Por outro lado, há quem tenha o azar de aterrar nos braços de pais imaturos que determinarão de forma implacável as bases da sua personalidade. No entanto, os especialistas em psicologia infantil e dinâmica familiar sabem que nestes casos podem acontecer duas coisas muito interessantes, e ao mesmo tempo determinantes.

Uma coisa que todos concordamos é que ter filhos não nos transforma em verdadeiros pais. A maternidade, como a paternidade mais sadia e significativa, é demonstrada estando presente, dando um afeto verdadeiro, enriquecedor e forte para que essa criança seja parte da vida, e não um coração partido e vinculado somente ao medo, às carências e à baixa auto-estima.

Uma coisa que toda a criança precisa, muito além do simples alimento e da roupa, é a acessibilidade emocional, madura e segura onde se sentir conectada a certas pessoas para entender o mundo e, por sua vez, entender a si mesma. Se isso falha, tudo desmorona. As emoções da criança ficam invalidadas pelo pai emocionalmente imaturo ou pela mãe que, preocupada somente consigo mesma, descuida dos sentimentos e das necessidades emocionais dos filhos.

Por outro lado, cabe dizer que este tipo de dinâmica é mais complexa do que parece à primeira vista. Tanto que é importante diferenciar 4 tipos de mães e pais emocionalmente imaturos.


A imaturidade dos pais

A primeira tipologia faz referência ao tipo de pais e mães com comportamento errante e desigual. São pais muito instáveis emocionalmente, dos que hoje fazem promessas e amanhã não as cumprem. Pais que hoje estão muito presentes e amanhã fazem os filhos sentirem que são um estorvo.

  • Os pais impulsivos, por sua vez, são aqueles que agem sem pensar, que realizam planos sem avaliar as consequências, que vão de erro em erro e de imprudência em imprudência sem pesar suas atitudes.

  • A maternidade e a paternidade passiva constituem, sem dúvida, um dos exemplos mais claros de imaturidade. São os que não se envolvem, os que estão presentes mas ausentes, e os que baseiam sua criação no “deixa acontecer”.

  • Por fim, também é comum a figura de pais desdenhosos, aqueles que fazem seus filhos sentirem que são um estorvo ou indesejados, os que acham que a educação é /não é para eles e é algo de que não querem participar.

Estes quatro perfis esculpem as batidas de decepção de uma infância trancada, ferida e invalidada. Toda a criança que crescer neste contexto vivenciará claros sentimentos de abandono, solidão, frustração e ira.


Crianças que assumem o papel de adultos

Apontamos isso no início: a criança que cresceu assumindo o papel do adulto nem sempre se sente mais forte, mais madura, e muito menos mais feliz. Deixar sobre os ombros de um pequeno de 8, 10 ou mesmo 15 anos a responsabilidade exclusiva de cuidar de si mesmo, de um irmão menor ou de tomar decisões que seus pais deveriam tomar, deixa marcas e potencialmente constitui a raiz de muitas carências.

“Uma rosa obtém sua fragrância das suas raízes, e a vida de um adulto obtém sua fortaleza da sua infância.” -Austin O´Mally-

As consequências psicológicas que costumam prevalecer nestes casos são tão variadas quanto complexas: solidão emocional, auto-exigência, incapacidade de estabelecer relacionamentos sólidos, sentimentos de culpa, contenção emocional, repressão da ira, ansiedade, pensamentos irracionais…


Superar estas feridas por causa de uma infância perdida e de pais imaturos não é tarefa fácil, mas não é impossível. A terapia cognitivo comportamental é muito útil, assim como a aceitação da existência dessa ferida causada pelo abandono ou a negligência. Mais tarde virá a necessária reconciliação com nós mesmos, onde nos permitimos sentir raiva e frustração por uma infância roubada e onde nos obrigaram a crescer muito depressa e nos deixaram sozinhos muito cedo.

Perdemos a infância, mas a vida se abre diante de nós maravilhosa, livre, e sempre convidativa para nos permitirmos ser aquilo que sempre quisemos e que, sem dúvida, merecemos. Devemos conseguir que a imaturidade emocional de nossos pais não nos impeça de construir a felicidade presente e futura que não conseguimos ter no passado.


Children Of Emotionally Immature Parent: Lost Childhoods


Being the child of an emotionally immature parent can leave deep marks. Many of them have to take on the parental role and its responsibilities. They are forced to grow up prematurely due to the parental incompetence, this fragile, careless and negligent bond that erases childhoods and destroys self-esteem.


We know that we cannot choose who is our parents, and a child is not capable of choosing the type of relationship they want to establish with their parents the same way adults can. Because being born is almost like falling down a chimney. There are those who are lucky enough to be caught by wonderful, skillful and competent parents who will allow them to grow in a safe, mature and dignified way.


“I cannot think of any need in childhood as strong as the need for a father's protection.”- Sigmund Freud.


On the other hand, there are those who are unlucky enough to land in the arms of immature parents who will relentlessly determine the basis of their personality. However, specialists in child psychology and family dynamics know that in these cases two very interesting and determinant things can happen.


Parents with a clearly immature and incompetent personality can favor the upbringing of cruel as well as immature children. However, they can also enable the children to assume the role of the adult that the parents have refused to exercise. This is how some children end up taking responsibility for their younger siblings, taking care of household chores or decision-making that do not correspond to their age.


This last fact, as curious as it may seem, will not make this child more courageous, mature or responsible in a way that we can understand as healthy. It results in people who have lost their childhood. We invite you to reflect on this.


Emotionally immature parents, interrupted childhoods.


One thing we all agree on is that having children does not turn us into real parents. Motherhood, as the healthiest and most meaningful parenting, is best demonstrated by being present, giving a true, enriching and strong affection for a child to be part of life, instead of a broken heart with only fear, needs and low self-esteem.


One thing that every child needs, far beyond just food and clothing, is an emotional, mature and safe place where they can feel connected to certain people in order to understand the world and, in turn, understand themselves. If this fails, the rest falls apart. The child's emotions are invalidated by the emotionally immature father or mother who, concerned only with themselves, neglects their children's emotional needs and feelings.



On the other hand, it is worth saying that this type of dynamics is more complex than it seems at first. So much so that it is important to differentiate 4 types of emotionally immature parents.


The parent’s immaturity


The first typology refers to the fathers and mothers with errant and unequal behavior. These parents are very emotionally unstable, and make promises that they do not keep. They are very present today but tomorrow make their children feel they are a nuisance.


Impulsive parents, in turn, are those who act without thinking, who carry out plans without evaluating the consequences, ranging from error to error and imprudence to imprudence without weighing their attitudes.

Passive motherhood and paternity are undoubtedly one of the clearest examples of immaturity. They are those who are not involved, those who are present but absent, and those who base their parenting on "let it happen".

Finally, it is also common to find contemptuous parents, those who make their children feel as though they are a nuisance or unwanted, those who think that education is not for their children and is something they do not want to participate in.

These four profiles sculpt an interrupted, wounded and invalidated childhood to the beat of disappointment. Every child who grows up in this context will experience clear feelings of abandonment, loneliness, frustration and anger.


Children who take on the adult role


As we mentioned above: the child who grew up taking on the role of the adult does not always feel stronger, more mature, or happier. Leaving the weight of the responsibility of taking care of yourself, a younger sibling or making decisions that your parents should make, on the shoulders of a young child of 8, 10 or even 15 years, leaves marks and potentially constitutes the root of many needs.


“A rose gets its fragrance from its roots, and the life of an adult gets its strength from its childhood” - Austin O'Mally


The psychological consequences that usually prevail in these cases are as varied as they are complex: emotional loneliness, self-demand, inability to establish solid relationships, feelings of guilt, emotional restraint, repression of anger, anxiety, irrational thoughts ...


Overcoming these wounds caused by the lost childhood and immature parents is no easy task, but it is not impossible. Cognitive-behavioral therapy is very helpful, as is the acceptance of the existence of this wound caused by abandonment or neglect. Later on, the necessary reconciliation with oneself will come, where one is allowed to feel anger and frustration over a stolen childhood and where the parents forced them to grow up very quickly and left them alone from very early on.


The childhood is lost, but life opens up before us, wonderful, free, and always inviting to allow ourselves to be what we have always wanted to be and which, undoubtedly, we deserve. We must ensure that our parents' emotional immaturity does not prevent us from building the present and future happiness that we have not allowed to have in the past.





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