Insegurança emocional: quando a falta de confiança nos invade.


Navegar pela vida acompanhados da insegurança emocional pode ser um grande peso. Duvidar de tudo, sobretudo de nós mesmos, é um dos grandes impedimentos dos inseguros para alcançar a realização pessoal. Andar sempre com medo, sem confiança e indecisos é similar a tentar manter o equilíbrio sobre uma corda bamba e ter que fazer mil e um malabarismos para tentar não cair.


Pode ser que essa insegurança nos tenha acompanhado desde sempre, fruto de uma infância infeliz pela ausência do sentimento de proteção e segurança. Ou, talvez, pode ser que ela tenha surgido exatamente pelo motivo contrário, ou seja, por uma super-proteção excessiva que nos fez sentir inferiores ou pouco válidos. Inclusive, uma outra possibilidade é que essa insegurança só tenha aparecido recentemente, após alguma situação muito traumática que foi um golpe forte demais para nós.


A insegurança emocional é a grande inimiga do desenvolvimento, a grande responsável por boicotar a auto-estima e o maior obstáculo para a construção de vínculos sólidos. Se deixarmos que ela nos invada, ela se apoderará de nós e acabará anulando a nossa vontade através de críticas e de um questionamento contínuo. No entanto, sempre nos podemos proteger para que isso não aconteça e, no pior dos casos, podemos recomeçar e construir ou reconstruir o sentimento de segurança perdido. Vejamos a seguir.


“A desconfiança é a mãe da insegurança”

(Aristófanes)



O que é a insegurança emocional?


A insegurança emocional surge de uma dúvida constante em relação a si mesmo. Dúvidas sobre as próprias capacidades, sentimentos e modos de agir. É um estado de confusão constante que paralisa e, além disso, nos faz esperar por uma validação por parte de outras pessoas. Na maioria das vezes essa é a moeda de troca para alcançar, enfim, uma tranquilidade – ainda que ela seja falsa.


Agora, não podemos esquecer que a vida é, em sua essência, insegurança e incerteza. De fato, o filósofo e ensaísta espanhol José Ortega y Gasset diria que a vida é uma insegurança radical, já que ela pode até mesmo deixar de existir a qualquer momento. O problema é que não estamos conscientes disso o tempo todo. Nós passamos o dia planeando, organizando, criando esperanças em relação ao futuro com a certeza de que tudo acontecerá pelo menos um pouco conforme esperamos. E, sem aviso, tudo pode quebrar- se em mil pedaços. Saímos do caminho ou esse simplesmente acaba, e somos obrigados a procurar um novo.


Saber que tudo pode mudar em questão de segundos pode nos ajudar a viver de outro modo, como por exemplo viver mais intensamente. No entanto, isso não quer dizer que temos que adotar a insegurança como companheira da nossa rotina. Quer dizer apenas que é normal tê-la em vista, porque cedo ou tarde ela fará sua aparição no nosso filme. E o melhor é estar preparado para enfrentá-la.


Quer dizer então que é melhor ser inseguro e não ter nada como garantido?

Não, estamos apenas a dizer que de vez em quando temos que perceber a sua presença para evitar viver num mundo imaginário. Agora, isso não pode acontecer em excesso. Muita segurança emocional nos prejudica porque, além de invalidar qualquer sentimento de autoconfiança, também se pode expandir para todos os âmbitos de nossas vidas.

Então, como poderemos avançar se não estivermos seguros de absolutamente nada?

O importante é saber diferenciar entre a insegurança mais relacionada a uma consciência geral da vida, como um indicador do externo, e a insegurança emocional, um estado interno muito mais específico que tem a ver com nós mesmos e como nos valorizamos. Deste modo, é ótimo ter em mente que a mudança é algo permanente na vida, assim como a incerteza é algo normal e, inclusive, pode ajudar-nos a ver a vida de uma outra forma. Mas ao mesmo tempo, temos que confiar em nós mesmos e não esperar que todos em torno de nós expressem o que temos que fazer ou como temos que fazer as coisas para nos sentirmos bem.


O que caracteriza uma pessoa insegura?


Para entender melhor o universo da insegurança emocional e como ela nos afeta, é importante entender o que é ser uma pessoa insegura. A seguir, falaremos de algumas das características mais comuns que as pessoas que adotaram esse estado como parte de si mesmas apresentam. São as seguintes:

  • Medo das críticas, julgamentos e avaliações dos demais

  • Necessidade constante de mostrar seus sucessos e de receber elogios e atenção para se sentirem válidos e capazes.

  • Tendência ao perfeccionismo e à competitividade.

  • Costumam estar sempre na defensiva.

  • Baixa auto-estima.

  • Tentativas de contagiar os outros com suas dúvidas e inseguranças.

  • Uso frequente de falsa modéstia.

  • Presença de um grande sentimento de desconfiança em relação a si mesmo e aos outros.

“A desconfiança é um sinal de fraqueza” -Indira Gandhi-


As pessoas inseguras costumam agir e pensar muito condicionadas por uma guerra interior constante, uma luta entre sua necessidade de se destacar e demonstrar aos demais como são válidas e um profundo sentimento de invalidez e incapacidade. De fato, nos casos mais graves esse tipo de pessoa considera que não é ninguém se os demais não lhe atribuem valor, ou seja, eles se tornam completamente vazios e invisíveis.


O psicanalista austríaco Alfred Adler propôs o conceito de complexo de inferioridade como indicativo desse tipo de personalidade nas pessoas. Ele afirmava que as pessoas inseguras travam uma luta constante para se mostrar superiores, que poderia inclusive chegar a repercutir de forma negativa em suas relações. Isso porque este tipo de pessoa poderia chegar a se sentir feliz se conseguisse fazer os outros se sentirem infelizes. Além disso, ele qualificava esse tipo de comportamento como típico de uma pessoa neurótica..