Não há lugar como o lar ... para educação sexual

Atualizado: Out 5



Existe uma suposição comum de que se os pais falarem sobre sexo com os filhos, eles ficarão curiosos e desejarão vivê-lo mais cedo. No entanto, a realidade é muito diferente. Estudos são muito consistentes em mostrar que crianças que não falam sobre sexo e sexualidade com seus pais muitas vezes começam sua vida sexual mais cedo do que aquelas cujos pais foram abertos sobre a conversa e correm maiores riscos sexuais na adolescência, como ter relações sexuais sem preservativo. Uma das razões que explicam essas descobertas é simples: a maioria das crianças tem curiosidade sobre a sexualidade, mas ao receber informações em uma idade precoce, elas não serão tão curiosas. Por outro lado, se os pais evitarem a conversa, os filhos vão querer encontrar respostas sozinhos.


A cultura desempenha um papel importante nas expectativas da educação sexual em casa. Algumas culturas acreditam que a escola é responsável por essa conversa, enquanto outras acham que isso deve ser responsabilidade da família. Na Holanda e em Portugal, por exemplo, a educação sexual nas escolas é obrigatória. Já no Brasil, não. Mas, independentemente do país onde a criança cresce, receber informações sobre sexo desde cedo é benéfico para sua futura iniciação na sexualidade, e ser capaz de fazer perguntas a seus pais é importante.


Crianças que se sentem à vontade para perguntar a seus pais sobre esse assunto tendem não apenas a demorar mais para iniciar sua vida sexual, mas também a fazê-lo com mais segurança e a ter melhor comunicação sexual com seus parceiros românticos na idade adulta. Curiosamente, as crianças que são desencorajadas ou punidas por perguntarem sobre sexualidade costumam crescer com maior inibição sexual na idade adulta do que aquelas que tiveram espaço para o diálogo.


Talvez o mais importante, a educação sexual em casa desde cedo pode prevenir o abuso sexual infantil. Explicar para a criança que ninguém tem permissão para tocar em suas partes íntimas irá prepará-la para relatar a você, como pai ou responsável, se algo acontecer.


Eu sei, falar sobre sexo com seu filho(a) pode ser desconfortável e pode ser difícil saber o que você deve dizer, o que você deve evitar mencionar e quando. Muitos pais desejam conversar abertamente com seus filhos sobre sexualidade, mas não se sentem preparados para isso. No entanto, você não deve evitar ser o principal e mais importante educador sexual de seu filho(a), visto que, como o responsável, você exerce uma influência muito poderosa sobre o desenvolvimento sexual de seu filho(a).


Então, como mostrar a seu filho(a) que os pais (ou o responsável) são abertos ao diálogo?

Desde o início, você educa seu filho(a) sobre sexo. Por exemplo, crianças a partir dos 3 anos já têm uma compreensão da sexualidade ao ver a diferença anatômica entre um irmão ou um primo do sexo oposto. Por meio de palavras ou silêncio, por meio de comunicação verbal ou não verbal, suas respostas ensinam a seu filho muito sobre sexualidade, como valores e atitudes.


Então, aqui estão algumas dicas para facilitar a jornada:

  • Como pais, vocês devem conversar um com o outro sobre as mensagens que desejam transmitir ao seu filho(a) sobre sexo.

  • Antecipe questões e comportamentos sexuais para que você possa planejar e praticar suas respostas.

  • Responda às perguntas à medida que surgirem. Responder "agora não" e "você não precisa saber disso" ensina a seus filhos que perguntar não é permitido. Se você quiser atrasar uma discussão, tente dizer “Este não é um bom momento para conversarmos sobre isso. Vamos conversar quando chegarmos em casa”. Mas mantenha sua palavra e quando chegar em casa, converse sobre o assunto.

  • Se você se sentir envergonhado, conte ao seu filho(a). Dizer “é difícil para mim falar sobre isso, mas estou disposto a tentar” mostra honestidade e seu filho(a) vai gostar disso.

  • Responda de forma simples e honesta, deixando a porta aberta para novas discussões.


E se meu filho(a) estiver acariciando seus órgãos genitais?

Crianças em idade pré-escolar costumam acariciar seus órgãos genitais por diferentes motivos, como tédio, nervosismo ou apenas porque é reconfortante. Embora chocante para alguns, essa é uma parte normal do desenvolvimento.


A forma como os pais/responsável reage às brincadeiras genitais da criança é importante. Punir ou afastar a mão da criança envia a mensagem de que os órgãos genitais são ruins, e isso é um motivo de vergonha ou culpa.


Os pais que não se opõem precisam ensinar à criança onde isso é impróprio, dizendo algo como “isso é algo que você faz em particular - não onde outras pessoas possam vê-lo”. Isso enviará uma mensagem sobre o comportamento adequado e respeito pelos outros.

Para os pais que se opõem à brincadeira genital, podem explicar de forma calma e amorosa que o comportamento não é aceitável. Gritar para eles pararem ou distraí-los é ineficaz.



Quer seu filho(a) faça perguntas sobre sexualidade ou você o pegue explorando a si mesmo, a ideia geral é que você deve sempre ser honesto com seu filho(a). E lembre-se, o perigo não está em conversar muito cedo, mas em conversar muito pouco e tarde demais.