O seu guia de psicofármacos - O que é importante saber

Atualizado: 6 de jan.


O sofrimento faz parte da vida.

Dito isto, existem situações e predisposições individuais que podem conduzir a que este sofrimento seja insuportável ou muito difícil de gerir. E daí, alguma perturbação mental poderá mesmo surgir como resposta adaptativa do organismo (como um todo mente-corpo conectado) de tentar lidar com isso. Essa resposta, tendo a intenção de proteger a pessoa, tende a prolongar o sofrimento a longo prazo e torna-se disfuncional.

Muitas pessoas, mesmo sob sintomas graves de sofrimento psíquico intenso, sentem receio de tomar algum tipo de medicação psiquiátrica.

Este artigo pretende apresentar os tipos de psicofármacos mais usados em todo o mundo. Os mais comuns procuram habitualmente aliviar os sintomas de ansiedade e depressão que acabam por estar associados quase sempre a algum quadro de perturbação mental.

O que é um Psicofármaco?

Os psicofármacos distinguem-se dos outros tipos de medicamentos por obrigatoriamente atuarem no sistema nervoso central (SNC). Por afetarem os processos mentais, alteram a percepção, emoções e comportamentos dos pacientes. Estes fármacos deprimem ou estimulam seletivamente as diferentes ações do SNC com o objetivo de aliviar os sintomas e não eliminá-los (não funcionam como uma cura!). Além do mais, a maior parte das alterações que uma perturbação mental imprime no cérebro não são conhecidas.

Principais Tipos de Psicofármacos:

  • Antidepressivos

  • Ansiolíticos e Hipnóticos

  • Antipsicóticos

  • Estabilizadores de Humor

Para cada medicamento existem alguns efeitos adversos esperados e comuns e outros que dependem da reação individual de cada pessoa. O benefício sentido com alguns psicofármacos pode surgir mais tarde do que os efeitos indesejáveis, o que pode dificultar a adesão à medicação. Para cada situação devem ser pesados os riscos e benefícios, decisão que deve compartilhar com o seu médico.

O tempo de tratamento com este tipo de medicação varia de seis, nove meses a um ano.


Efeitos Terapêuticos e Efeitos Colaterais

Os psicofármacos (e as drogas em geral) atuam em múltiplos locais e não apenas naquele que se considera ser o mais desejável. Do ponto de vista terapêutico, a sua ação tende a originar efeitos diversos:

  • Aos desejáveis chama-se efeitos terapêuticos

  • Aos indesejáveis chama-se efeitos colaterais, secundários, adversos

Chamar aos efeitos de uma droga “terapêuticos” ou “adversos” é simplesmente uma questão de conveniência - em psicofarmacologia abundam os casos de fármacos cujas reações adversas são “reutilizadas” para fins terapêuticos. Foi aliás assim que muitos dos medicamentos que hoje consideramos terem efeitos desejáveis no alívio de sintomas de perturbação mental foram “descobertos”. Por exemplo, um medicamento que estava a ser criado com o intuito de ser anestésico percebeu-se que tinha a potencialidade de “relaxar” o corpo e travar reações de ansiedade no corpo e assim passou a ser usado como ansiolítico.

Antidepressivos

Os antidepressivos são medicamentos aprovados para aliviar doenças como a depressão, a ansiedade e as perturbações obsessivo-compulsiva e do comportamento alimentar.

Os antidepressivos aumentam ou prolongam a atividade de neurotransmissores, como a serotonina e a noradrenalina, hormonas envolvidas na regulação do humor. A maioria dos antidepressivos demora 3-4 semanas a ter algum benefício, embora algumas pessoas possam senti-lo antes disso. Naturalmente, as pessoas desejam sentir os efeitos da medicação de imediato, mas os antidepressivos não funcionam assim. É fundamental aguardar e ter persistência durante o início do tratamento.

Ansiolíticos e Hipnóticos

Os ansiolíticos e hipnóticos, também conhecidos como “calmantes” são medicamentos utilizados em situações pontuais de ansiedade ou de dificuldade em dormir. Nestes incluem-se as benzodiazepinas. Apesar de proporcionarem um alívio imediato, não são dirigidos à causa do sintoma. Estes medicamentos estão associados a um risco de dependência, pelo que devem ser utilizados apenas por um curto período de tempo. Quando tomados de forma regular vão perdendo o seu efeito, havendo necessidade de aumento da dose. São também conhecidos efeitos secundários importantes quando tomados em altas doses durante muito tempo, como os défices de memória.

O rivotril é uma das famosas benzodiazepinas que muita gente traz na carteira e toma diante de angústia/sofrimento emocional. Trata-se de uma substância que desliga o sistema nervoso central, gerando uma sensação instantânea de relaxamento”, explica a psiquiatra Anny Mattos da Universidade do Rio de Janeiro. Uma geração de medicamentos pós-Rivotril tem por base o diazepam que aumenta a libertação de serotonina, uma hormona conectada com a sensação de bem-estar.

Antipsicóticos

Os antipsicóticos, tal como o nome sugere, são medicamentos utilizados no tratamento de sintomas psicóticos. Estes sintomas podem estar presentes num grande número de doenças, tais como a esquizofrenia, a perturbação bipolar, a demência com características psicóticas, entre outros. Estes medicamentos são também eficazes no controlo da agitação, da desorganização do comportamento, da impulsividade e da agressividade.

Estabilizadores do Humor

Os estabilizadores do humor são medicamentos que ajudam na regulação do humor, ou seja, do estado de ânimo da pessoa. Permitem controlar as oscilações extremas de humor, como as que ocorrem nas pessoas com perturbação bipolar.

As mudanças de humor fazem parte das nossas vivências e todos as sentimos, no entanto, quando são extremas, podem interferir com o nosso funcionamento diário, razão pela qual são consideradas prejudiciais e são alvo de tratamento. São exemplos os episódios de intensa depressão ou de extrema euforia.

O grupo dos estabilizadores do humor incluem:

  • Lítio, um medicamento extraído a partir de um mineral encontrado na natureza

  • Ácido valpróico, lamotrigina e carbamazepina, também chamados antiepiléticos por terem efeito no controlo da epilepsia, além do efeito de estabilização do humor

Notas finais:

A decisão de utilizar ou não um psicofármaco depende antes de mais do diagnóstico, incluindo eventuais comorbilidades. Para muitas perturbações a medicação é o tratamento preferencial, como na esquizofrenia, na perturbação bipolar, em depressões graves ou no controle de ataques de pânico muito constantes. Outros diagnósticos, como fobias específicas, perturbação de ansiedade generalizada, perturbações de personalidade, problemas situacionais ou quebras de funcionamento, a psicoterapia deve ser a primeira opção e é habitualmente suficiente.

É sempre positivo pesquisar, ler e perguntar a pessoas especializadas todas as dúvidas que possa ter em relação à medicação. Expresse as suas preocupações ao seu médico ou psicólogo e não tenha medo de fazer perguntas.

Consulte em baixo a pequena lista dos medicamentos comumente usados para sintomas depressivos e ansiosos.

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Medicamentos psiquiátricos para depressão

Fluoxetina

É um dos medicamentos mais utilizados para o tratamento da depressão, ansiedade, síndrome do pânico, bulimia, disforia e outros. Ele aumenta os níveis de serotonina, o neurotransmissor responsável pela regulação do humor, bem-estar, sono, apetite, entre outras funções. A recomendação é a toma diária. Os efeitos positivos começam a se manifestar no período de 2 a 6 semanas.

Escitalopram

Indicado para pacientes depressivos e ansiosos, além dos que apresentam perturbação de pânico, perturbação obsessivo-compulsiva e transtorno de ansiedade social, é um dos medicamentos mais recomendados pelos médicos. O escitalopram altera as concentrações de neurotransmissores no cérebro, aumentando os níveis de serotonina entre os neurónios. Combate os sintomas da depressão aguda mais rápido do que outros medicamentos. A melhoria clínica é visível entre 2 a 6 semanas. Em alguns casos, a ação terapêutica pode ocorrer em apenas quatro semanas. Embora apresente efeitos colaterais, é um dos medicamentos psiquiátricos mais seguros.

Mirtazapina

Mirtazapina é um antidepressivo tetracíclico que aumenta a quantidade de serotonina e noradrenalina, associado às funções executivas e dores físicas no neurónio. Esse aumento dos neurotransmissores gera melhorias nos sintomas da depressão. Costuma ser mais rápido do que outros antidepressivos. Os efeitos positivos já começam a surgir entre 2 a 4 semanas. Para equilibrar os efeitos colaterais (aumento de peso, sonolência e disfunção sexual), pode ser utilizada em associação com outros medicamentos indicados pelo médico.

Citalopram

Este medicamento é próprio para o tratamento da depressão, do pânico e do transtorno obsessivo compulsivo. Os principais efeitos do citalopram são observados entre 2 a 4 semanas após o início do uso. Atua corrigindo as concentrações de neurotransmissores, como a serotonina.

Medicamentos psiquiátricos para ansiedade

Diazepam

Gera alívio sintomático da ansiedade e outras patológicas associadas à síndrome da ansiedade generalizada, incluindo também insônia e síndrome do pânico. O diazepam produz um efeito calmante no corpo e também funciona como sedativo. O efeito é notado após 20 minutos da ingestão, sendo que sua concentração máxima é atingida de 30 a 90 minutos depois.

Bromazepam

Indicado para ansiedade, tensão, transtornos do humor e esquizofrenia. Em doses baixas, reduz a tensão e ansiedade e, em mais elevadas, tem efeito sedativo e relaxante muscular. Seu uso é recomendado apenas em quadros graves ou incapacitantes.

Alprazolam

O alprazolam é usado no tratamento de transtornos de ansiedade e pânico, com ou sem agorafobia. Ele atua principalmente no sistema nervoso central, por isso, pode haver um leve compromisso de reflexões leves e sonolência durante o dia. Reduz a manifestação de sintomas como tensão, apreensão, irritabilidade, insônia, taquicardia, hiperatividade, etc.

Lorazepam

Atua como controle do transtorno de ansiedade generalizada ou para o alívio dos sintomas no cotidiano. Pode ser também usado como medicação complementar no tratamento da ansiedade em estados psicóticos e depressão profunda. Age em diversos receptores em locais diferentes do sistema nervoso central, diminuindo a geração de estímulos nervosos dos neurónios. Dessa forma, reduz a ansiedade.


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