Perder para ganhar

Atualizado: Jun 30




A síndrome de burnout é multifatorial, mas por norma é reflexo de um ambiente profissional exigente. Durante décadas, foi considerada uma realidade exclusiva para profissões com maior envolvimento interpessoal, como as da área da saúde e segurança.


De facto, os profissionais de saúde, por terem um contacto permanente com pessoas debilitadas e com a morte, com horários de trabalho muitas vezes exigentes, podem estar mais sujeitos a sentir este tipo de desgaste. No entanto, o burnout pode acontecer em qualquer área laboral, estando associado a ambientes de grande competitividade, em que as atividades atribuídas não são adequadas a cada indivíduo ou quando há sobrecarga de tarefas e/ou de horários.


Assim, atualmente, esta síndrome é considerada um problema de saúde pública, acreditando-se que pode afetar indivíduos de qualquer classe profissional, incluindo até estudantes. Representa uma resposta do organismo ao stress profissional prolongado (crónico), podendo originar vários sintomas, de diferentes géneros:

  1. Afetivos: tristeza, desânimo, apatia, mágoa, fúria, revolta, preocupação, perda de controlo emocional e diminuição da autoconfiança e da autoestima.

  2. Cognitivos: dificuldades de atenção/concentração e prejuízos na memória.

  3. Psicossomáticos: falta de ar, taquicardia, problemas cutâneos, sintomas gastrointestinais, queixas musculares, fadiga e hipertensão arterial.

  4. Alterações comportamentais: agressividade, isolamento social, perda de empatia e comportamentos aditivos.

  5. Atitude em relação ao trabalho: desmotivação e procrastinação.

Se considera que poder estar em burnout, lembre-se:

  • Identifique os fatores que contribuem para o stress no trabalho. Deste modo, será mais fácil geri-los ou até mesmo eliminá-los;

  • Avalie opções: o diálogo com os seus superiores é essencial na gestão de expectativas sobre o trabalho que desenvolve;

  • Adeque a sua postura: tente reter os aspetos positivos do seu ambiente de trabalho e valorizar o que corre bem;

  • Veja a sua saúde como um todo: reduza o consumo de álcool, nicotina e cafeína; pratique exercício físico, durma 7 a 8 horas por noite, defina um momento do dia para você se desconectar completamente da tecnologia e faça das risadas e dos momentos de lazer uma prioridade.

Como vê, há muitas coisas que você pode fazer para recuperar o equilíbrio e começar a sentir esperança novamente. No entanto, as más condições de trabalho são o maior preditor de burnout. Por isso, o tratamento implica melhorar as circunstâncias e as condições que originaram o burnout, de que se destacam a melhoria das condições de trabalho e das relações profissionais, com diminuição do isolamento. Não raramente, tal implica a retirada temporária – ou definitiva – do local de trabalho, a reorganização das suas atividades e um adequado investimento em interesses pessoais, não ligados ao mundo laboral.


A psicoterapia ajudará a compreender melhor as razões que o/a levaram a padecer de burnout e a evitar procedimentos semelhantes no futuro. Pode ainda ser necessária ajuda médica, nomeadamente quando a pessoa tem sintomas de depressão e de ansiedade que justificam farmacoterapia.


Por isso, caso realmente queira livrar-se do burnout, é necessário tomar um novo rumo a nível profissional, mas sobretudo a nível pessoal.


E lembre-se, mudar não é sinónimo de arrependimento, mas sim de uma consciência mais alargada. Não se trata de falta de coragem, por desistir da situação em que se encontra, trata-se de inteligência estratégica. Use a sua.


Não raras vezes, temos de perder, para depois ganhar.

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