Raiz em dois mundos: criar os filhos numa cultura diferente



Muitas famílias buscam imigrar pensando no bem estar dos seus filhos: mais qualidade de vida, melhor educação e melhor rendimentos. Ao mesmo tempo deparam-se com a realidade de criar os filhos em outra sociedade com valores, normas e idioma diferentes.


Qual é a importância da cultura no nosso desenvolvimento?

Os seres humanos vivem em sociedade, e isso é fundamental para nossa existência. A família é importante nesse processo pois é dentro da família que aprendemos como viver em sociedade, em particular através das atividades do quotidiano: conversas, alimentação, observação e convívio.

Assim começa nossa socialização, educação e formação para o mundo. A função da família é transmitir a língua e a cultura para que cada membro possa aprender quais os princípios da sociedade em que está inserido. Há desafios neste processo, mas quando convivemos com diferentes culturas, os desafios aumentam.


Várias culturas em uma única casa

Mesmo quando ambos os pais partilham a mesma cultura, a família acaba por absorver aspectos da cultura do país em que vivem. Podem ser percepções diferentes sobre problemas, formas diferentes de lidar com algumas situações, alimentação e até mesmo valores diferentes.

Quando os filhos vão para a escola, as diferenças culturais podem ser mais visíveis e acentuadas. Pode ser um olhar diferente sobre a religião ou um olhar diferente sobre raças. E é verdade que estas vivências vão criando percepções diferentes e comportamentos diferentes em quem está em contacto com diversas culturas.

Perceber as mudanças culturais e conviver bem com elas facilita a interação familiar como também a vida social tanto para pais quanto para os filhos.


Cada escolha uma renúncia

Optamos por mais qualidade de vida, um futuro melhor para nossos filhos, mais segurança e a possibilidade de aprender um outro idioma. Mas ao mesmo tempo renunciamos ao convívio com avós, tios e primos; vivemos em uma cultura diferente e os desafios dessa convivência.

E a culpa vem implacável, pois vamos seguindo com nossas vidas e escolhas, mas percebendo as diferenças que surgem. E essa percepção pode doer, pode trazer dúvidas, e também, culpa.

Ter coragem de olhar para estes sentimentos e não escondê-los é muito importante, pois damos a chance de calibrar as escolhas e as renúncias para que elas possam conviver em harmonia.


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