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Redes Sociais e Isolamento

O isolamento social ocorre quando falta aos indivíduos um envolvimento social real e relações de qualidade com os outros. Este estado, seja ele real ou percebido pelo sujeito, está associado a várias condições graves de saúde, incluindo a mortalidade precoce, especialmente em adultos idosos.

Existe evidência neurobiológica de que a solidão e o isolamento social estão ligados a respostas neuroendócrinas e pró-inflamatórias de stress, incluindo pressão sanguínea alta e redução da resposta imunológica. Cognitivamente, o isolamento prejudica o funcionamento executivo, afeta negativamente a cognição social (incluindo a capacidade de confiar nos outros), e o processamento de estímulos sociais negativos.

O sistema de recompensa do cérebro evoluiu para reforçar o desenvolvimento e manutenção de conexões sociais com os outros – pertencer a um grupo aumenta as nossas probabilidades de obter recursos valiosos (ex.: comida), assim como, melhora as capacidades individuais de evitar predadores. Assim, os indivíduos que possuíam genes que os predispunham a procurar interações sociais recompensadoras e a pertencer a um grupo, possuíam vantagens-chave, sobreviveram e passaram os seus genes.

No mundo atual, se um indivíduo se sente isolado socialmente, ele poderá interagir com os outros online, por exemplo, através das redes sociais como o Facebook, o Twitter e o Instagram. Quando os indivíduos publicam conteúdo e comentam ou interagem de outra forma com outros conteúdos, estão a estabelecer contacto com outras pessoas. O simples facto de se receber um “like” numa rede social ativa o sistema de recompensa do cérebro.

Apesar das redes sociais poderem ajudar a estabelecer conexões com os outros, a investigação tem provado que uma utilização mais intensa destas redes está ligada a maior isolamento social em jovens adultos. A utilização passiva das redes sociais (isto é, ver as novidades sem publicar nada) e comparações sociais conduzem a sintomas de depressão e reduzido bem-estar. Esta utilização poderá também diminuir o tempo disponível ou impedir os indivíduos de se envolverem em interações sociais offline, agravando o quadro.

Uma ausência mais ou menos prolongada das redes sociais poderá ter uma série de resultados positivos, sendo uma tendência que cada vez mais pessoas têm adotado (desistindo totalmente ou limitando as horas de utilização).

Talvez esta ausência promova o envolvimento (ou a tentativa de envolvimento) com as pessoas no dia-a-dia, com as pessoas com quem contactamos até ocasionalmente ao entrar num café. Por vezes, dar e receber um sorriso é o que basta para criar uma pequena conexão, de humano para humano, e nos ajudar a sentir menos sozinhos.

Revisão do artigo:

Meshi, D., Cotten, S., & Bender, A. (2019). Problematic Social Media Use and Perceived Social Isolation in Older Adults: A Cross-Sectional Study. Gerontology, 1-9. doi:10.1159/000502577

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