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Resiliência - o que é?

Resiliência - definição do termo:

  • contrário de fragilidade

  • capacidade de resistência de um material face ao choque


É um processo onde as pessoas revelam uma adaptação positiva apesar de passarem por experiências de adversidade significativa ou traumas. É a capacidade para uma recuperação, funcionamento positivo ou competência na presença de uma adversidade, envolvendo múltiplos riscos e ameaças internas e externas.


Este conceito surgiu da observação de que, perante a adversidade, um grande número de indivíduos não apresentava psicopatologia.


Num conjunto de 698 crianças nascidas na ilha Kauai no Havai, 54% vivam em condições de pobreza significativa.

Uma investigação pretendia observar e documentar a evolução da gravidez de todas as mulheres da ilha e do desenvolvimento das crianças e avaliar as consequências a longo-prazo de complicações perinatais e cuidados adversos ao longo do desenvolvimento das crianças. Um terço delas estava exposta a múltiplos fatores de risco tais como: pobreza, problemas de saúde, baixa educação parental, alcoolismo parental, violência, instabilidade/conflito familiar, doença mental parental - essas constituíram o grupo de elevado risco.


Esta amostra foi novamente avaliada aos 18, aos 32 e aos 40 anos de idade. Aos 18, ⅔ do grupo de elevado risco apresentavam problemas em várias áreas da vida (escolar, social, saúde mental). No entanto, os restantes ⅓ apresentavam resultados favoráveis (resiliência)!

E, mais, aos 32 e aos 40 anos, ⅚ do grupo de inadaptação conseguiu voltar a uma trajetória adaptativa!

Estes resultados não esperados de adaptação positiva levaram investigadores a tentar compreender os fatores protetores subjacentes aos caminhos de desenvolvimento adaptativos.


Alguns dos fatores protetores identificados foram:


  • ser o primeiro filho

  • boas competências de comunicação

  • autoconceito positivo

  • locus de controlo interno (perceção de estar em controlo das suas circunstâncias)

  • interesses e hobbies

  • capacidade de focar a atenção e controlar impulsos

  • competências de exploração do ambiente e de organização de modo a ajustá-lo às suas necessidades

  • elevada tolerância à frustração


Ao longo do desenvolvimento, estas crianças revelaram um sentido crescente de autonomia e autoeficácia; tinham pelo menos um adulto com quem tinham uma relação afetiva positiva (pais, outros familiares, professores, vizinhos, amigos); envolviam-se na comunidade através da participação em diversas atividades que geram um sentimento de coesão, comunhão social e compromisso ideológico.



Vários estudos têm concluído que a resiliência é a norma e não a exceção!


Por exemplo, a grande maioria dos doentes oncológicos apresenta um percurso resiliente, conseguindo adaptar-se bem ao diagnóstico e lidar com as exigências psicológicas, físicas e sociais dos tratamentos.


Assim sendo, uma avaliação psicológica deve acentuar fortemente as capacidades do indivíduo e os resultados positivos, em vez de focar sempre nas dificuldades e na psicopatologia.

A psicoterapia deve, por isso, englobar um processo em que o terapeuta mobiliza os fatores protetores do paciente ou tenta, em conjunto com ele, desenvolver novos.


As mudanças psicológicas positivas como resultado dos esforço empreendido para lidar com situações de vida traumáticas podem-se englobar no conceito de crescimento pós-traumático. Este caracteriza-se por:


Perceção melhorada de si próprio:

“Tenho um sentimento maior de autoconfiança e sei melhor que posso aguentar as dificuldades.”

“Descobri que sou mais forte do que pensava.”

“Desenvolvi novos interesses e sou capaz de fazer melhores coisas da minha vida.”

“Novas oportunidades surgiram que de outra forma não iriam ocorrer.”


Relações interpessoais mais fortes:

“Vejo que tenho pessoas com quem posso contar.”

“Tenho mais compaixão pelos outros.”


Filosofia de vida mais próxima dos seus valores:

“Aprecio melhor o valor da minha vida.”

“Mudei as minhas prioridades acerca do que é importante na vida.”



Concluímos que qualquer adversidade é uma oportunidade de aprendizagem. E, a adaptação às circunstâncias da vida, é muito mais comum do que poderíamos pensar e algo possível dentro de cada um de nós.


A Mental Health Clinic Isabel Henriques deseja-lhe uma ótima semana :)



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