Sabe escutar o seu corpo?


É comum chegar ao fim de um dia de trabalho com dor na zona superior das costas e ombros? E considerar que não fez nada fisicamente exigente que justifique tal dor? Muitas vezes, o nosso corpo tenta falar connosco. Infelizmente, nós estamos pouco treinados para o escutar e só ouvimos os seus pedidos de ajuda quando eles são vociferados demasiado alto para serem ignorados.


São inúmeros os relatos de “dores que não fazem sentido” ou sem uma causa física detectável. Conversando com pessoas em contexto de terapia, vamos desvendado a origem destes desconfortos físicos: dores nas costas, ombros e pescoço, tensão nos maxilares, dores de cabeça e enxaquecas, tensão acumulada nos punhos, braços e pernas, desconforto intestinal (e problemas gástricos mais severos), aperto na garganta e peito “pesado” ou “apertado” - sendo estes alguns dos exemplos mais comuns.


O corpo tem acesso direto ao sistema nervoso e existe uma transmissão de informação constante com o cérebro, daí que o corpo se consiga expressar desta forma. Podemos prender a respiração para conter sentimentos de desconforto e peso do nosso dia-a-dia e isso traduzir-se num aperto no peito que se torna uma dor. E é assim que o corpo fala e reclama por atenção, tentando libertar sentimentos que queremos esconder, que evitamos ou não damos importância.


Um psicólogo vai olhar, escutar e sentir todas as partes - verbais e não verbais - que um paciente “verbaliza” em consulta. Estes sentimentos ignorados procuram uma saída; precisam de ser entendidos e que lhes seja talvez atribuído um novo significado. Corpo e mente constituem uma unidade funcional e, por mais ausente que o corpo pareça ser, por uma sobrevalorização e primazia dada à mente racional e consciente, é imperativo escutar esta unidade.


Se um sofrimento psíquico (dor, culpa, ressentimento, vergonha, raiva) não é elaborado por emoções e pensamentos, comunicado em palavras e descarregado/libertado em ações, o caminho para a doença psicossomática é aberto. A ansiedade é um dos sofrimentos que mais abertamente perturba o funcionamento orgânico normal, tendo muitas vezes uma ligação com desorganizações intestinais.


O afeto desligado da experiência vivida, difunde-se pelo aparelho psíquico e pelo corpo (aparelho somático) e acumula-se em forma de tensão, em “bolsas de contenção” que, ou são expulsas para o exterior em explosões emocionais e comportamentais, ou para o interior, causando o desequilíbrio ou mesmo a doença orgânica.


“Prazer, alegria e segurança ou tensões, dores e doenças são manifestações da vida emocional representada no corpo de cada um”. Assim, convidamo-lo a apurar o ouvido e a escutar abertamente o seu corpo, sem julgamento, procurando apenas entender o que ele lhe tenta comunicar.


Fontes:

https://www.ippc.pt/o-corpo-e-a-suas-dores-a-perspetiva-da-psicoterapia-corporal/

https://emdrandbeyond.com/blog/2018/4/13/trauma-book-club-summary-the-body-keeps-the

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https://www.clinico-psicologo.com/servicos/doenca-psicossomatica/

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